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O Samba que Move a Fé: Crônica de um Reisado

  • Brenda Daniele
  • 2 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 4 de jan.

Sabe aquela batida que te pega de jeito, que não te deixa parado e parece que já mora no teu corpo antes mesmo de você nascer? É o samba de roda, meu bem. Ele é o coração pulsante do Reisado aqui em Tiquaruçu.


Foto: Cau Pretto/Secom PMFS
Foto: Cau Pretto/Secom PMFS

É ele que faz tudo girar. O pandeiro chama, o cavaquinho responde, o surdo marca o passo e o tamborim resolve o resto. Ninguém — ninguém mesmo — fica parado. Até quem jura de pé junto que “não sabe sambar” já está balançando o ombro. Eu garanto.


Essa batida vem de longe. É memória viva dos nossos ancestrais, que transformavam cansaço em canto e dor em força. Nasceu nas rodas de capoeira, depois de um dia duro de trabalho, no ritmo do corte da cana e do arrancar da mandioca. É história passada de corpo em corpo, de geração em geração.


E tem aquele momento que a gente espera com o coração na boca: o hino.“Hoje é Dia de Santos Reis.”Quando os primeiros acordes chegam, o tempo parece parar. É o auge da festa, o instante em que fé e alegria se misturam e viram uma coisa só.


Foto: Dione
Foto: Dione

A Praça Vira Roda: Aqui o samba é livre!


O cortejo é só o aquecimento. O grupo sai lá da antiga ORCARE, abrindo caminho, e a cidade inteira se enche de som, cor e uma expectativa boa que arrepia. Mas, quando eles pisam na praça... ah, meu amor, aí é a explosão!


Tem uma multidão esperando, gente por todo lado, ocupando cada pedacinho do chão. E

quando a música começa de verdade, o corpo simplesmente obedece. Não tem erro nem

passo decorado aqui; o samba é livre. A gente só precisa sentir, deixar a batida guiar e botar

para fora "toda aquela alegria" que mora dentro.


É o que a Dione diz: "O samba é vida, saúde e prazer." E é a mais pura verdade! Teve um ano que a energia acabou no meio do show, os instrumentos se calaram, mas o povo, não. Dione pegou o microfone, o coro respondeu, e o samba seguiu firme, no peito e na palma da mão. Porque a festa do Reisado de Tiquaruçu vive dentro da gente!


Vídeo: Reprodução/Instagram @reisadode

Dione do Samba: Herança, Luta e Devoção


A história de Dione com o samba é coisa de alma e de luta. Ela entrou de cabeça no Reisado quando o antigo grupo se desfez. Aceitou o convite para que a tradição não morresse, para que o samba não silenciasse. E, desde então, ela virou um símbolo de resistência, de cultura e de um amor gigante pelas nossas raízes.


Ela sempre se emociona, mas o momento que mais a marcou foi no segundo ano. A mãe dela, doente, mas apaixonada pelo samba, aquela que dizia que "samba bom começa de

madrugada", pediu pra ser levada até em frente ao palco pra ver a filha cantar. E lá estava ela, firme com a bengala, pedindo um samba antigo, de "bata de feijão"

.

Dione cantou com lágrimas nos olhos, vendo a mãe sorrir na multidão e respondendo à música com o corpo, no balanço da fé. É uma imagem que a gente nunca mais esquece.


Hoje, ela carrega essa chama e tenta acender a mesma luz na nova geração. Mesmo vendo a juventude se afastar um pouco do ritmo, a esperança dela está em casa. A filha, de apenas

seis anos, já declara, cheia de orgulho: “Minha mãe, quando eu crescer, eu quero samba de

Iguaçu!” Dione torce para que esse amor siga, porque o samba é isso: herança, força e vida.


A Essência Vibrante da Festa


O nosso samba de roda é o brilho mais puro da Festa de Reis. Não tem "profissional", não tem exigência: a gente só precisa de coração aberto e deixar o corpo conversar com o tambor. É uma festa multicolorida, resistente, que encanta a todos que chegam. É o povo se

reconhecendo, sorrindo e celebrando junto. Porque o samba, docinho, é o jeito mais bonito que o coração encontrou pra dizer: "A gente tá vivo e a nossa cultura não para!"


Vídeo: Reprodução/ Instagram @reisadode

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