Entre o sagrado e o profano, a Lavagem que mora em mim
- Karla Carneiro
- 3 de nov. de 2025
- 1 min de leitura
O intuito desse blog é reunir histórias e saberes que, muitas vezes, não estão registrados em lugar nenhum, a não ser no repertório imaginário das pessoas que vivem essas festas. E talvez seja por isso que eu precise escrever sobre a Lavagem de Irará.
Desde muito nova, eu curto a Lavagem acompanhada de minha mãe. Na maioria das vezes, meu irmão também vai. No percurso, encontramos outros familiares e amigos, e assim seguimos o cortejo, nos perdendo dessas pessoas, encontrando outras, nos reencontrando de novo. Todos ouvindo a mesma trilha sonora: a sincronia dos instrumentos da Filarmônica 25 de Dezembro.
Desde que comecei a criar memórias, lembro de curtir essa que é uma das maiores tradições da minha cidade. Fui criada em uma família católica, que sempre ia às novenas da padroeira e que também ia junto com minha mãe escolher a roupa branca para o dia da Lavagem. É dia de festa, então é dia de roupa nova.
Íamos, curtíamos o cortejo e, no dia 2 de fevereiro, íamos para a igreja comemorar o dia da padroeira: Salve Nossa Senhora da Purificação!

Sempre gostei de ver essa união, pessoas de religiões diferentes, mas que compartilham da mesma fé. Nossa Senhora, como mãe, unindo seus filhos em casa, com festa, com música, com cheiro de alfazema no ar.
Mas talvez seja isso mesmo: a Lavagem é uma história viva, escrita pelos passos de quem acredita, seja rezando, dançando ou apenas sentindo o vento que passa quando o cortejo abre caminho.



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