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Cordel do Silêncio do Reisado

  • Brenda Daniele
  • 3 de nov. de 2025
  • 1 min de leitura

Um canto pela resistência e pela saudade da festa

No distrito de fé e canto,

Onde o samba faz morada,

O Reisado era a chama,

Que acendia a madrugada.

Mas há dois anos, é silêncio

Uma pausa tão calada.


Cadê o som do pandeiro?

O brilho da tradição?

Cadê as fitas dançando,

No compasso da canção?

O povo ainda espera o toque,

Do tambor do coração.


A sede, outrora cheia,

Hoje esta abandonada.

A madeira pede socorro,

A parede descascada.

É a casa da cultura,

Pedindo para ser abraçada.


Faltou apoio, sobrou fé,

Faltou dinheiro, sobrou amor.

Mas nem só de força se vive

Quem é guardião do valor?

A cultura pede cuidado,

Pede gesto e protetor.


O Reisado não morreu,

Mas sofre pra respirar.

É chama que quer arder,

Mas falta quem vá soprar.

Pois tradição sem carinho,

É difícil sustentar.


A comunidade resiste,

Com saudade e união.

Mas manter o fogo aceso

Exige mais que paixão.

Precisa de ombro e força,

De respeito e de ação.


Cada pausa é uma ferida,

No peito de quem lutou.

Mas o povo segue firme,

Mesmo quando a dor pesou.

Porque o Reisado é memória,

É raiz que não secou.


Que os ventos tragam de volta,

O brilho da procissão,

O riso, o toque, a esperança,

A festa e a devoção.

Que o Reisado renasça,

No abraço da tradição.


Pois o povo de Tiquaruçu

Não esquece o seu papel:

É manter viva a cultura,

Mesmo em tempo cruel.

Que os Santos Reis abençoe,

E reacenda esse fogaréu.

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