As Lavagens de Antigamente: quando o chitão coloria a rua
- Karla Carneiro
- 27 de out. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 30 de out. de 2025
Por muito tempo, eu achei que as baianas da Lavagem de Irará sempre se vestiram de branco. Era o que eu via, era o que eu sempre lembrava, o que todo mundo dizia e o que parecia lógico, o branco combina com a fé, com o sagrado. Mas, em uma conversa com Roberto Martins, comunicador e produtor cultural que já esteve à frente da organização da festa descobri que nem sempre foi assim.
Segundo ele, lá nas primeiras lavagens, as baianas usavam vestidos de chitão, aquele tecido cheio de flores coloridas. Eu fiquei surpresa. Nunca tinha ouvido isso em lugar nenhum. Era o tipo de detalhe que não é contado com frequência.
E foi aí que comecei a me perguntar: quando foi que o branco tomou conta da Lavagem? Será que foi por influência da Lavagem do Bonfim, em Salvador, que se tornou referência para tantas outras? Ou será que, aos poucos, Irará foi trocando suas próprias cores pelas de uma tradição que parecia mais “certa”, mais “bonita”, mais “religiosa”?

Foto gerada por Inteligência Artificial
Roberto Martins me disse uma frase que não sai da cabeça: “Os ritos fazem os mitos que fazem a tradição.” Talvez seja isso, a tradição nasce quando algo muda e, repetido muitas vezes, passa a parecer eterno. O branco, que um dia foi novidade, virou símbolo. E o chitão colorido ficou na lembrança.
Mas, talvez, no fundo, o chitão nunca tenha ido embora de vez. Ele ficou guardado na lembrança de quem viveu aquelas lavagens antigas e agora volta em forma de história, pra lembrar que tradição também é isso: mudar, mas sem esquecer de onde veio.



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