Tiquaruçu: Casarões antigos, histórias vivas
- Brenda Daniele
- 2 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 4 de jan.
As ruas de Tiquaruçu são um verdadeiro espetáculo de beleza e memória. Marcadas pela presença de casas e casarões antigos, elas parecem sussurrar histórias de quem passou por ali. Cada edificação carrega vestígios do tempo e reflete a riqueza cultural da região, transformando o distrito em um convite aberto à contemplação e ao afeto.
Em São Vicente, povoado-sede, os casarões têm um jeito próprio de existir. As fachadas coloridas chamam atenção, assim como as portas altas de madeira e as janelas voltadas para a praça, sempre abertas ao movimento cotidiano. Algumas das construções mais antigas foram erguidas em taipa, técnica tradicional que atravessou gerações. Há casas que ainda exibem, nas fachadas, o ano de sua fundação — um lembrete vivo da importância histórica daquele chão.
Casarão Rosa: O Início do Sagrado, o Palco do Reisado
Quem chega para a festa em São Vicente logo dá de cara com uma construção imponente: o Casarão Rosa. Um chalé com ares europeus que, à época, pertencia a uma família de grande influência, encomendado pelo coronel Artur Motta. Desde a inauguração, destacou-se pela imponência e pelos detalhes arquitetônicos que contrastavam com as demais casas da região, dando a ele um charme único.

Com o tempo, ele virou a sede do nosso amado Reisado do distrito e da Organização Cultural e Artística Reisado de São Vicente (ORCARE). E é desse ponto de partida, dessa joia arquitetônica, que o cortejo da fé inicia sua jornada! O percurso sobe a ladeira, passando pelas ruas tranquilas, pela praça, pela igreja e pelo mercado. De lá, saem todos os personagens da festa prontos para a folia: os reis, os vaqueiros, os cantores, as sambadeiras e, claro, o povo que segue o rito! A fé começa na porta, mas a tradição domina a rua.
A Capela de São Vicente Ferrer: História, Fé e Devoção

Subindo a ladeira, passamos por mais casas coloridas, subindo um pouco mais chegamos a
praça do distrito, e nossa próxima parada e a Capela de São Vicente Ferrer, é um templo
histórico do século XVIII, sede de acontecimentos cruciais. O local guarda relíquias de peso,
como a pia batismal que viu a heroína feirense Maria Quitéria receber o batismo, lá em 1798.
(É isso mesmo! Nosso distrito tem história de sobra e gente famosa registrada aqui!)
Também está lá a imagem de São Vicente Ferrer, o pregador dominicano espanhol, tido como milagroso, aquele que anunciava a segunda vinda de Jesus Cristo. E é neste templo que a missa solene, no Dia de Reis, reforça a nossa devoção e a tradição que nos guia.
Essa igrejinha que tem um charme todo especial, e sempre está se renovando, com cores diferentes, mas que preserva sua arquitetura imponente.

O Sagrado Encontra o Profano (e o Samba Vira Madrugada!)
Ao fim do pequeno, mas animado cortejo, a parte sagrada da festa se encerra. É quando a
parte "profana" (de profunda alegria, diga-se de passagem!) toma conta!
O palco dos shows se arma ali pela praça ou, em algumas edições, atrás do mercado
municipal. É o momento de receber os cantores locais e de fora, e de a gente se entregar aos grupos de samba de roda! A festa vira uma grande roda de samba, onde pessoas de todas as idades se reúnem para celebrar, sem hora para cansaço ou sono. A folia atravessa a
madrugada, e o tempo voa que é uma beleza!
Porque, como diz o ditado dos nossos mais antigos: Samba bom é aquele que a gente só para quando o sol resolve aparecer! O melhor samba é, e sempre será, o da madrugada!
Sagrado e profano

O reisado é uma festa de largo, que reúne multidões, e que a cada edição prova que é uma
festa imortal. E que os tiquaruçuenses sabem fazer uma festa e tanta, misturando elementos
religiosos com os três magos, com a força do povo do interior, representado pelo vaqueiro. Se os presentes do magos representam ouro, a divindade e a imortalidade, o vaqueiro com o couro vai representar a resistência. E é isso que a festa é… resistente.



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