A maré encheu, a maré vazou: o canto que ecoa em Irará
- Karla Carneiro
- 25 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 4 de jan.
Em Irará, algumas coisas parecem estar enraizadas dentro da gente. A música “A maré encheu, a maré vazou” é uma delas. Não é apenas uma canção presente na Lavagem de Irará; é quase um hino não oficial da cidade. Quando ela começa a tocar, é como se a memória coletiva despertasse. A voz de quem canta se mistura à alegria, à fé e ao orgulho de ser iraraense.
A Maré Encheu, a Maré Vazou – Nega Duda
Ê, a maré encheu, ê, a maré vazou
Ê, de longe, bem longe, eu avistei Irará
A minha casinha coberta de sapé
Meu arco, minha flecha, minha cabaça de mé
A maré encheu, a maré vazou
Ê, de longe, bem longe, eu avistei Irará
A minha casinha coberta de sapé
Meu arco, minha flecha, minha cabaça de mé...

Foto: Nega Duda / Spotify
Essa música, que já se consolidou no cantar dos iraraenses, ganhou força e já foi entoada por grandes nomes, como Margareth Menezes, que já se apresentou durante os shows da festa, e levando a música como uma das suas trilhas na gravação do seu DVD Voz Talismã (2012). Mostrando a força do cantar de um povo e como ela resiste ao tempo, atravessando gerações.
Vídeo/Reprodução: YouTube - Margareth Menezes
Mesmo longe do mês da Lavagem, basta alguém começar o refrão “A maré já encheu, a maré já vazou” que logo o coro se forma. Lembro de um aniversário em família em que começamos a cantar várias músicas antigas para animar minha mãe, minhas tias e meus tios. De repente, puxei o canto da maré e foi como se a casa se transformasse na Praça de Irará em dia de festa. Meu irmão, primos e primas começaram a acompanhar; fizemos das mesas nossos pandeiros, e, de repente, todos dançavam e riam. Não era tempo de Lavagem, mas, naquele instante, voltamos a comemorar a última sexta de janeiro.
É isso que essa música faz. Ela atravessa o tempo e o espaço, porque carrega um sentimento que vai além da melodia: a identidade. Cada vez que alguém canta, é como se reafirmasse um pedaço do que é ser de Irará, um povo que celebra, que tem fé e que se reconhece nos sons, nas batidas e nas lembranças.
A maré encheu, a maré vazou... e volta a encher sempre que a gente canta de novo.



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