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A Festa que Mudou Minha Vida

  • Brenda Daniele
  • 25 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 4 de jan.

A Festa de Reis é mais do que um evento religioso ou cultural. No distrito de Tiquaruçu, ela representa um verdadeiro patrimônio afetivo, um espaço onde memória, música e identidade se encontram. Com mais de dois séculos de existência, o Reisado colore a praça e a vida dos moradores com seus cantos, danças e ritmos tradicionais, como o samba de roda.


Para além da celebração coletiva, a festa também tem o poder de transformar trajetórias individuais. É o caso de Carlos André, que encontrou no Reisado não apenas um palco, mas um propósito de vida.


Carlos André: do pagodão ao samba de roda


A vida de Carlos André foi lindamente tocada por essa varinha de condão do Reisado. Vinte anos se passaram desde seu primeiro passo no festejo e, hoje, ele nos abre o coração para contar essa jornada mágica: de cantor enérgico a guardião e organizador que é referência na tradição.


Foto: Carlos André/arquivo


Carlos iniciou sua trilha musical com o pagodão, aquele ritmo fervilhante, nascido nas ruas de Salvador, com graves que fazem o chão tremer. Dali, aventurou-se na arrochadeira, misturando o calor do arrocha com batidas que fazem o corpo dançar.


Mas o destino musical o chamava para outro palco. Como ele mesmo conta, com a honestidade da alma:


“A gente era jovem, queria tocar pagode..., mas, quando saí do pagode, ainda fiquei um ano e pouco na arrochadeira e, em 2016 para 2017, foi que eu assumi totalmente o Reisado. Aí eu vi que a minha área realmente era o samba de roda.”


Os anos que mudaram meu roteiro: 2006 e 2016


Sua primeira participação foi em 2002, como cantor. Porém, o ano de 2016 marcou a virada de chave, o momento em que, junto com a troca de estilo musical, ele assumiu o desafio e a honra de organizar o festejo.


No entanto, há um ano ainda mais especial cravado em sua memória: o Reisado de 2016. Foi quando ele deu seus primeiros passos na organização, substituindo o mestre Asa Filho, uma figura que ele admira. Esse foi o palco da sua maior emoção. Ele nos conta um pouco da experiência desse primeiro festejo:


“Dá medo. Eu fiquei com medo. Como seria a reação do povo? E você ver aquela praça inteira, velho, inteira pra te ver... Parentes, mãe, meu avô se emocionou, tias, amigos e a praça inteira cantando com você. É lindo demais!”


A emoção da família, o carinho do público e o reconhecimento foram a mais pura prova de que ele estava no caminho certo. Carlos viu ali não só uma festa, mas uma missão de amor. Ele se tornou um dos principais responsáveis pelo renascimento do Reisado, uma paixão de quase duas décadas.


Vídeo: Carlos André/arquivo


Mantendo a batucada e a tradição vivas


Hoje, Carlos é o maestro desse sonho. Ele coordena a banda, escolhe com afeto o repertório e acompanha cada ensaio, mantendo o coração dessa tradição vibrando.

Entre a cor das fitas, a força dos batuques e a luz da fé, Carlos André segue cuidando do Reisado com uma dedicação que transborda. O festejo o moldou, o transformou, e ele retribui zelando por essa chama mágica de Tiquaruçu.

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