O Novo Reisado: Quando a Tradição Acende Novas Chamas
- Brenda Daniele
- 3 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 4 de jan.
O Novo Reisado nasceu de um desejo sincero: não deixar que o silêncio tomasse o lugar da batida do tambor, do som do pandeiro, do canto e das fitas coloridas que giram com o vento pelas ruas de Tiquaruçu.
Foi em outubro de 2015, no bar do amigo Lica, que essa história começou a ganhar forma. Entre uma conversa e outra, Lica, o vereador Lulinha e o empresário Teo — dono da Área Hall — lançaram uma pergunta simples, mas poderosa: “Vai deixar 2016 sem Reisado?”
A resposta veio em forma de ação. Junto com Joilson e outros amigos, nasceu o Novo
Reisado, misturando a energia dos jovens com a sabedoria dos mais velhos. A ideia era clara: manter viva uma tradição que é o coração da comunidade.
A Força da União
O começo não foi fácil. Faltavam instrumentos, mas sobrava coragem. E o destino resolveu ajudar: músicos que tocavam em uma festa no próprio bar de Lica se juntaram ao grupo. O que parecia improvável virou realidade, com ensaios marcados por alegria, improviso e muita fé.
Cada encontro parecia uma festa. A comunidade abraçou a ideia, participou, ajudou, cantou e vibrou. O primeiro grande momento veio em 2016, quando o Novo Reisado saiu às ruas pela primeira vez. A emoção foi tanta que até quem duvidava se rendeu.
O povo percebeu que o Reisado não tinha acabado — apenas estava se reinventando. Para todos os entrevistados, 2016 não foi apenas mais um ano de festa: foi A FESTA. Não é exagero, é memória viva do impacto daquele momento.
A juventude trouxe novas cores, novas danças e novas formas de pensar, sem nunca esquecer o que veio antes. Não à toa, pessoas mais velhas foram convidadas a participar. Essa troca fortaleceu o espírito coletivo e deu ao Reisado uma nova face: mais leve, diversa e aberta às ideias de quem chega.
Nos primeiros anos, o envolvimento da comunidade era intenso. Cada ensaio virava um pequeno espetáculo, e as ruas ganhavam vida com o som e a alegria dos participantes. Era um tempo de festa, partilha e orgulho por ver o Reisado renascer.

Resistência e Fogo Cultural
Manter o Reisado vivo é um ato de resistência.
Como contou um dos organizadores, tudo hoje gira em torno do dinheiro, e é difícil sustentar um grupo sem apoio. Ainda assim, eles seguem firmes, acreditando que a cultura vale o esforço.
O Novo Reisado é essa chama teimosa que insiste em brilhar mesmo quando falta lenha.
É o reflexo de um povo que não desiste do que ama, que entende que a tradição não é coisa antiga, mas uma semente que precisa ser regada com fé, música e união.
Mesmo com pausas, a essência continua viva.
O Reisado é memória, é fé, é encontro. E cada vez que alguém veste uma roupa colorida, toca um tambor ou canta uma ladainha, o fogo se reacende.
O Futuro que Continua
Hoje, o grupo reúne cerca de 22 pessoas, entre músicos e dançarinos. Apesar das dificuldades e da pausa de dois anos sem a grande festa, o sonho de ver o Novo Reisado brilhar novamente segue firme.
Há planos para unir o novo e o velho Reisado ,juntar a experiência de Mestre Asa Filho com a energia da nova geração. Essa mistura promete reacender o movimento com ainda mais força. O Reisado é, sem dúvida, uma das expressões mais bonitas da cultura popular de Feira de Santana. Uma festa que carrega fé, alegria e pertencimento, e que transforma quem participa.
Uma Festa Que É do Povo
Quem já foi, sabe: o Reisado é diferente de qualquer outra festa.
É uma celebração que mistura religiosidade, música e emoção. É impossível assistir e não se
deixar levar pelo ritmo e pelo encanto do cortejo.

É uma festa feita por gente comum, mas com um poder extraordinário: o de transformar fé em cultura e tradição em movimento.
O Reisado é o retrato vivo de uma comunidade que resiste, cria e continua escrevendo sua
própria história com cor, som e amor.



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